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Plataforma dos Profissionais de Educação

Nova educação, novas empresas, novos empregos e novos educadores

As escolhas e as mudanças não são fáceis e, optar por uma formação é determinante para que traçando um caminho não limitemos as nossas opções de saber e praxis. As Ciências da Educação apareceram na minha vida académica como uma realidade não obvia mas construída e consentida, e hoje no seguimento da minha opção e formação e da minha experiência profissional constato que o contexto educativo, laboral e cultural onde nos encontramos é propicio à mudança, adaptação e auto-didactismo, formação e empreendedorismo constantes, no sentido prático e quotidiano das palavras.

Como profissional em CE posso partilhar um pouco do meu percurso e ainda pouca experiência de quem saiu da faculdade e entrou directamente na realidade laboral com ilusões e objectivos e, que nunca perdeu de vista a meta de crescer e descobrir todas as possibilidades profissionais plausíveis e viáveis ajustadas ao conhecimento a priori conseguido, e à realização pessoal que é determinante na evolução da carreira de qualquer um.

Rapidamente percebi que escolher as Ciências da Educação não me tinha limitado num caminho, mas me tinham dado a possibilidade de exercitar as minhas capacidades em diferentes áreas e, consegui  encontrar essa resposta mesmo quando tudo se afunilava naquela primeira escolha de ser especialista em educação só com crianças, ou só com adultos, ou em nenhuma destas vertentes.

O trabalho de um licenciado em Ciências da Educação não se resume a uma escolha de área de trabalho ou intervenção, pois a sua polivalência e versatilidade reside no facto de conseguir ver o processo educativo em diferentes contextos e situações, sendo educador enquanto trabalha numa instituição social de jovens e crianças, num projecto de intervenção comunitária, no serviço educativo de um museu ou instituição, numa rede de educação parental, ambiental, de segurança rodoviária, ou de educação para a sexualidade, educa ao fazer a carta educativa para uma câmara, no voluntariado de hospital, num CNO, num centro ou empresa de formação, numa equipa ou projecto que coordena ao traçar metas, objectivos, planos, avaliações. Educa para lá do senso comum, pois o processo educativo, no seu método e técnicas e nos veículos e materiais que usa, são as suas ferramentas de trabalho, e que o caracterizam diferentemente nas vertentes em que como profissional trabalha.

Apesar de todas estas vantagens que consigo enumerar e descrever e encontrar nos meus colegas LCE e no meu percurso profissional, não posso deixar de dizer que deve acrescer a tudo isto o empreededorismo, a dinâmica e a capacidade que nos leva a olhar para um anuncio de emprego ou para uma oportunidade que não tem escrito a negrito que a nós se destina, como se assim fosse, e mostrar que também é para nós, e depois claro sem utopias acreditar que pode ser possível. Cabe-nos também o risco de saber que podemos numa oportunidade construir com as nossas ideias os nossos projectos e os nossos postos de trabalho se tivermos em conta a inovação, a necessidade e educação aliadas; e depois poderíamos ainda acrescentar a sorte, e o sentido de oportunidade, que eu não acrescento, pois um médico, um engenheiro e um advogado também poderiam acrescentar estes à sua necessidade em serem bons profissionais, ou seja isso é o comum, o LCE tem de se afirmar pela unicidade das suas capacidades e importância das sua funções, e pode fazê-lo neste novo mundo educativo que começa nas nossas escolas, que se prolonga nos tempos livres das nossas crianças, se redescobre na necessidade de acompanhamento, informação/formação dos nossos jovens, se prolonga na necessidade de conhecimentos , competências e literacia dos nossos adultos, e termina no desenvolvimento cognitivo e ocupacional do ser humano idoso.

Parece difícil e é, ser LCE é um desafio grande por si, que se apresenta ainda maior nos nossos dias, mas se não esquecermos que somos educadores, pedagogos, profissionais, técnicos, coordenadores, e que educação é tão mutante como a cultura, a sociedade e as pessoas que a fazem, estamos a ser proactivos e caminhar para construir ou fazer parte da nova educação, das novas empresas, dos novos projectos e empregos, e estamos acompanhando as mudanças como novos educadores. Se não reduzirmos a educação aos bancos da escola e o processo educativo ao processo de ensino-aprendizagem, vamos lembrar-nos da educação para a sociedade, para os valores, sem esquecermos que é necessário trabalhar entre outras, a educação e literacia ao nível da cidadania, da matemática, da ciência, entre tantas outras, nas mais diversas idades, e que podemos como profissionais assumir tantos papeis, como técnicos de intervenção aplicação e avaliação de programas, como coordenadores de equipa e recursos humanos, como formadores, como empresários, e sempre como Licenciados em Ciências da Educação. Vamos ter presente a necessidade de acompanhar as mudanças sem conformismos e com determinação.

Se era pouco clara e angustiante a minha escolha quando cheguei a faculdade hoje, é ainda um desafio que  com experiência  e pela  experiência vou conseguindo alcançar, porque acredito no futuro desta profissão, no reconhecimento do seu papel na sociedade e ainda acredito na competência e experiência dos seus profissionais. Não me esqueço que estão lá fora e sempre a mudar, a (nova) educação, as (novas) empresas, os (novos) empregos e a necessidade dos novos Educadores, Sou um LCE, sou um deles!

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8 Comentários

  1. Olá! Muito bom dia.

    Sou aluna de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa e estou no último ano da licenciatura.

    Achei muito interessante o discurso que faz sobre o que é ser Licenciado em Ciências da Educação porque quando me candidatei a este curso não fazia a minima ideia do que se tratava e talvez agora ainda não consiga bem definir e caracterizar o que nós poderemos fazer, onde e como podemos intervir.

    Por vezes fico confusa quanto ao que futuramente pretendo fazer porque tanto me interesso por formação de adultos como também gostava de trabalhar com crianças. Acaba por ficar uma indefinição quando me perguntam e quando eu própria me pergunto “E agora, por onde começar?”

    Esta licenciatura torna-se mesmo um grande desafio nas nossas vidas por implicar da nossa parte capacidades de adaptação às pessoas e aos contextos, uma visão critica sobre os assuntos que nos rodeiam e uma visão empreendedora quanto ao que já existe.

  2. Olá Cátia,

    Todos nós começámos de um ínico mais ou menos semelhante ao teu, e o desafio é mesmo a palavra certa, para que de alguma forma nos consigamos destacar e como profissionais dar enormes passos na área da Educação.
    Pouco a pouco na faculdade e depois dela, vamos fazendo escolhas mais ou menos destinadas ou pensadas que vão sendo o nosso caminho e progresso.
    A formação académica dá-nos as possibilidades e o conhecimento para ficarmos aptos a trabalhar num campo vasto onde tantos outros profissionias vão encontrando também o seu lugar, o mercado de trabalho dá-nos as oportunidades como leste em muitos campos, e bem diferentes, e a nossa vontade e preserverança vaã levar-nos a onde queremos tanto chegar. Não é facil mas o meu testemunho e de tantos outros colegas mostra-nos que é possível, e partilhar experiências é uma forma de os futuros Licenciados em CE, saberem o que podem vir a fazer no sen caminho profissional.
    Estou disponivel para falar contigo se quiseres sobre algumas saídas profissionias e opiniões que tenho; Dispõe sempre que quiseres; Já somos muitos e cada vez mais a passar pelas mesmas questões, duvidas e angústias e ainda e muito bem a cortar metas!

    Carolina

  3. Primeiro, gostaria de felicitar pela iniciativa.

    Não podemos deixar de lado, o recurso às novas tecnologias e extrair delas o seu maior potencial: comunicação e aprendizagem. Sou licenciado em Educação pela Universidade do Minho e estou a frequentar o mestrado em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária e, considero este espaço para todos aqueles que tem vocação e a vontade de estar, de dar e ser com o outro. Vamos continuar a fazer e a ser o caminho…

  4. Marta somos nós a prova mais prova de que já somos uma caminho!!
    Concordo contigo e com a força que as tecnologias nos podem oferecer, numa altura em que assumem papel de destaque em todas as áreas, a educação deve incorporar as suas valências e seguir rumo ao futuro e ao progresso!!

  5. Carolina,

    Os meus parabéns pelo teu (tomo a liberdade de te tratar por tu, se mo permites, uma vez que somos profissionais da mesma área!) artigo!

    O título do artigo, chamou-me logo à atenção… E o conteúdo do mesmo, fascinou-me!

    Sou Mestre em Ciências da Educação (Mestrado de Bolonha), pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e ao longo do meu percurso académico fui tomando consciência de que no mercado de trabalho, dado o nosso inexistente estatuto, e dadas as nossas multifunções, não ia ser fácil… E não é! Mas, neste momento, acho que o mercado de trabalho não está fácil para ninguém!

    Apesar disso, tenho sido, desde sempre, uma defensora nata das Ciências da Educação, da importância dos profissionais nos diversos contextos de trabalho (que tão bem especificas!), e da importância de sermos reconhecidos por aquilo que fazemos, e por termos tido, ao longo do nosso currículo académico, uma aprendizagem variada, multifacetada, contextual, dinâmica, inovadora, enriquecedora, produtiva, criativa, alternativa!!!!

    Acima de tudo, não importa se somos pedagogos, licenciados em CE ou educólogos, porque aquilo que somos verdadeiramente, depende daquilo que fazemos no contexto em que estamos a trabalhar!

    Actualmente, encontro-me num jardim-de-infância, como tal, para as crianças, eu não sou licenciada/mestre em CE… Para as crianças, eu sou uma EDUCADORA!

    Por isso, tenhamos todos, tal como a Carolina aqui o fez, a capacidade de defender as Ciências da Educação, de saber explicar o curso e as suas diferentes dimensões (bem sei que às vezes não é fácil…), procurar e enfrentar novos desafios, dar o melhor naquilo que fazemos (onde quer que seja!), estar sempre actualizados acerca do que se passa no “mundo educativo”, ir a congressos e mostrar à comunidade científica porque somos importantes… Lutar para que TODOS tenham acesso a uma melhor EDUCAÇÃO!

  6. Olá Raquel

    Obrigada; (o Tu está optimo, e é assim que deve ser :) )
    Se a nossa escolha, o nosso trabalho for realmente representativo do que pensamos, somos e for algo em que acreditamos, não importa o nome que nos dão, mas a importância que nós damos à nossa profissão que afinal foi aquela por qual optámos, e depois é como tu dizes, o papel na educação não se mede pela designação, mas pelo empenho, pelo profissionalismo e pela visão educativa que conseguirmos passar, mostrar e desenolver.
    Também já trabalhei com crianças, já fiz actividades para elas, em todas as etapas, desde a concepção até à aplicação e avaliação, já estive com jovens em colónias fechadas e em actividades cientificas e educativas,já fiz recrutamento de pessoas, já dei formação a diferentes adultos e, em nenhum momento mudando de nome que pode ir desde o monitor até ao coordenador, até ao senhor dr., me esqueci ou me senti menos Licenciado em CE.
    Essa capacidade é o que não nos pode faltar se quiseremos progredir no mercado de trabalho e crescer na nossa profissão com o máximo orgulho, (que já vi que tens e do qual também partilho).
    Somos o presente e o futuro da nossa classe profissional que nunca vai deixar de ser tão eclética como especifica, e, que de olhos postos nos principios basilares da educação deve acompanhar a modernidade dos tempos e ser promotora de mudanças. Educar será em todas áreas isso, atrevo-me a dizer que assim será o nosso trabalho.

  7. Um belo e claro testemunho! Acredito seriamente que a incerteza e a inquietação inerentes à novidade e à polivalência das Ciências da Educação, que no início tanto nos angustia, se revela numa das nossas maiores “arma”! Torna-nos pro-activos, versáteis, com maior capacidade de autonomia,… Características fulcrais numa sociedade em permanente mudança.

  8. Um discurso digno dos grandes Generais que o mundo já conheceu.
    Atendendo aos restantes comentários, onde se falou em Luta, Armas, bem… sinto que pertenço a um exército vencedor. Bravo Camaradas

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