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Plataforma dos Profissionais de Educação

e-scola de pais

Elaboração de um filme como meio de reflexão e estratégia de envolvimento dos pais na educação dos seus filhos

The crucial issue in successful learning is not home or school, but the relationship between them.” (Seeley, 1981)
É sabido que existe uma grande preocupação com o insucesso escolar, já que este pode, por sua vez, conduzir ao abandono escolar. É neste campo da educação que se insere o meu projecto e-scola de pais (http://www.e-scoladepais.com), visando contribuir para o sucesso escolar e actuando no que, a meu ver, é um dos pontos fulcrais da acção educativa: a intervenção dos pais. Com efeito, conforme realça Muñiz (1982), o rendimento escolar é influenciado pelas atitudes da família. Estar consciente do modo como ocorre essa influência facilita a compreensão de muitos aspectos, positivos ou negativos, relacionados com os objectos de conhecimento escolar. E embora a criança deva ter um lugar fixo de estudo, afastado de quaisquer tipos de barulho (televisão, rádio…) que possam prejudicar a sua concentração, o autor defende que o estudante não se deve encontrar totalmente isolado e fechado. Os pais deverão, frequentemente, comunicar com os filhos mostrando-se interessados na realização dos trabalhos escolares.

Objectivos do projecto

  • Desenvolver uma maior comunicação e colaboração entre a escola e a família
  • Capacitar os pais para uma intervenção activa na educação dos seus filhos
  • Utilizar as potencialidades das tecnologias como forma de comunicação

Resumo do projecto

Este projecto consistiu na elaboração de um filme, que visa auxiliar os pais dos alunos do segundo ciclo de escolaridade (de um determinado colégio particular), no que respeita ao acompanhamento e apoio que podem dar na educação dos seus filhos. Numa fase inicial, e para uma maior motivação de adesão ao projecto, realizei uma conferência sobre relação Escola-Família. Atendendo ao desenvolvimento das TIC, aproveitei as potencialidades das novas tecnologias para dinamizar discussões online centradas nas dificuldades sentidas pelos pais.

Palavras-chave: Educação de Adultos, Educação Parental, Relação escola-família, Comunicação, Desenvolvimento, TIC

Temas abordados

Quanto ao conteúdo tratado, foram abordados alguns temas dos quais destaco questões como: vida nocturna, promoção da Relação Escola-Família, a falta de participação das famílias na vida escolar e a chamada Escola-Armazém, entre outros pontos de reflexão.

Vida nocturna

Partindo da questão colocada por uma mãe de dois adolescentes de 15 e 17 anos à especialista Helena Fonseca (2005), “Porque é que as discotecas abrem e fecham tão tarde no nosso país?”, foi possível verificar que existem posições opostas. Se, por um lado, temos quem não aceite sequer a existência de lugares tão “perniciosos” [1] como as discotecas, temos, também, quem considere a hipótese de participar nas primeiras saídas nocturnas dos filhos a fim de poder acompanhar a sua iniciação.

Destaco, ainda neste tópico, o ponto de vista de um estudante na área da Educação, que faz a comparação entre o número de saídas à noite com o número de programas culturais:

Apesar de partilhar do rancor que o senhor Miguel [2] tem em relação às discotecas, a recorrência a um discurso de desqualificação reduz o debate ao não-discutível. Por essa razão devemos aceitar, independentemente do nosso grau de afectividade, que as discotecas têm razão de ser, enquanto espaços de lazer. Julgo que aquilo de que se trata aqui é uma questão de crescimento e de caminhos.

É natural que, ou pelas pressões sociais ou pelo desejo de aventura característico da idade, os adolescentes queiram passar pela experiência de ir a uma discoteca. Não acho que interesse entrar em pormenores, mas julgo que os pais não devem nem ser completamente restritivos ao ponto de proibir uma primeira experiência, nem completamente permissivos. Julgo que se devem criar condições para que os filhos cresçam de forma equilibrada e de forma a conquistarem autonomia e autocontrolo de forma gradual.

Pessoalmente vejo as discotecas como espaços que não oferecem nada de constritivo aos adolescentes a não ser uma sensação de euforia e de libertação que, eventualmente, se tornará prejudicial se passar a ser rotineira. E parece-me que actividades como o desporto podem provocar sensações semelhantes.

Para terminar, seria interessante perguntar a vários adolescentes: “Quantas vezes por ano vais à discoteca? Quantas vezes por ano vais ao teatro?” E aqui os resultados revelariam que a situação é muito grave… É preciso abrir a mente das crianças, dar-lhes luzes, fomentar o bom gosto e a lógica do cidadão do mundo, de crescimento contínuo, de prazer a longo prazo (Alves, 2009) [3].

Promoção da Relação Escola-Família

Foi questionado, por uma professora, qual deveria ser o processo de promoção da participação dos pais na escola, sem que estes tivessem “uma intervenção menos adequada”. Neste tópico, gostava de sublinhar as palavras do Professor Daniel Sampaio, que defende aquele que é, a meu ver, o ponto de partida para uma participação dos pais na vida da escola, de forma saudável. O ponto essencial para fazer bom trabalho com os pais é não os criticar e ter bem a noção das suas dificuldades, que são muitas. Depois, devem promover iniciativas centradas nos alunos, que levem os pais à escola para as ver, em vez de fazer reuniões que os pais não gostam.

Exemplos: campeonatos desportivos, teatro infantil, artes plásticas, SEMPRE FEITAS PELOS ALUNOS.

Falta de participação das famílias na vida escolar

Neste tema, que vai ao encontro do que foi referido no anterior, foi possível verificar que tanto profissionais como Encarregados de Educação reconhecem que deveria haver mais participação dos pais na escola. Assim, após o testemunho de um Encarregado de Educação que diz sentir alguma tristeza ao ver que não existe grande envolvimento por parte dos pais [4], podemos contar com a opinião do Professor Daniel Sampaio acerca dessa dificuldade: “Eu acho que os pais participam pouco porque está mal definido o que podem fazer na escola. Defendo que a participação dos pais deve ser a partir da iniciativa dos alunos, e não dos professores. Ou seja, se os alunos fizerem coisas positivas na escola e esta chamar os pais para verem estas realizações, eles faltarão menos.”

Escola-Armazém

Assumindo que este foi dos tópicos mais debatidos, arrisco a afirmar que é uma das maiores preocupações sentidas por Educadores, Encarregados de Educação, Alunos e profissionais de Educação. Actualmente, vivemos numa sociedade onde os jovens (e crianças) passam cada vez mais tempo na escola e menos tempo em casa. Tanto nas escolas públicas como escolas privadas, existe cada vez mais a tendência de “armazenar” os educandos na escola.

No artigo em questão, como refere Daniel Sampaio [5], “a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.”

Materiais Produzidos:

Filme: Ao longo do projecto foi elaborado um filme de animação que tenta estimular o diálogo e a reflexão acerca da importância da relação familiar.

O filme aborda questões como a falta de tempo, a sua compensação por bens materiais e algumas das suas possíveis consequências.

Link do filme: http://www.dailymotion.com/video/x9x834_filme_tech (consultado em Janeiro de 2010)

Reflexão Pessoal

Embora o projecto tenha tido um rumo um pouco diferente daquele que estava previsto, considero que as dificuldades foram bem superadas. Agora que tive o devido tempo para amadurecer a minha reflexão, apercebo-me de que as minhas expectativas se encontravam demasiado altas. Esperava que houvesse uma maior comunicação e que se conseguisse cultivar mais a ideia de Relação Escola-Família. Contudo, rapidamente me apercebi que a intervenção prioritária está no seio das famílias.

Quando é dada a possibilidade de construir um espaço de co-formação, um espaço de ajuda, de esclarecimento, onde podem ser partilhadas experiências sobre a educação dos seus filhos, e a comunicação existente nesse mesmo espaço é escassa devido à falta de tempo, é importante reflectir sobre isso e tentar perceber se o problema está no projecto em si ou na envolvência dos Encarregados de Educação.

É nesse sentido que considero que, antes de trabalhar a Relação Escola-Família é necessário intervir junto dos pais (e até mesmo da escola) a fim de mudar mentalidades, de fazer perceber a verdadeira importância da relação familiar, do diálogo, das manifestações afectivas, do acompanhamento e do tempo dedicado aos filhos e para os filhos.

É com base nessa intervenção que considero importante dar continuidade ao projecto, pois tal como afirmava Andy Warhol “They say that time changes things, but you actually have to change them yourself”.

Referências Bibliográficas

Fonseca, Helena (2005). Viver com adolescentes. Lisboa: Editorial Presença

Muñiz, Baudilino (1982). La familia ante el fracaso escolar. Narcea: S. A. Ediciones

Seeley, David (1985). Education through partnership. Washington, DC.: American Enterprise Institute of Public Policy Research (Primeira publicação: 1981)

Veen, Wim & Vrakking, Bem (2006). Homo Zappiens Growing up in a digital age. London: Network Continuum Education


[1] Não faço qualquer tipo de julgamento, cito o Encarregado de Educação em questão.

[2] Encarregado de Educação (nome fictício) que considera que as discotecas não deveriam existir.

[3] Membro da e-scola de pais. Comentário disponível no sítio: http://www.escoladepais.webducar.com/index.php?option=com_content&view=article&id=64:discotecas&catid=35:pratica&Itemid=54 (consultado em Janeiro de 2010).

[4] Reconhecendo, também, a sua fraca participação.

[5] Disponível no sítio: http://www.escoladepais.webducar.com/Escola-armazem.pdf (consultado em Janeiro de 2010).

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