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Plataforma dos Profissionais de Educação

Um percurso profissional nas ciências da educação

Proponho aqui partilhar o meu percurso profissional, na qualidade de Licenciada em Ciências da Educação, bem como as funções desempenhadas no contexto profissional da intervenção educativa. Ainda hoje, quando me perguntam qual a minha profissão, hesito antes de responder “técnica pedagógica”, talvez por sentir que esta designação não traduz o que faço na minha prática profissional, enquanto licenciada em Ciências da Educação. Há poucos anos, quando dizia que sou licenciada em Ciências da Educação, era frequente ouvir “Ciências do quê?!”. Aos poucos, fui percebendo que, independentemente da designação profissional, ser licenciada em Ciências da Educação implicaria construir o meu percurso profissional, abrindo caminho para passar.

No entanto, “técnica pedagógica” é abrangente q.b. para englobar as várias funções que tenho vindo a exercer desde que conclui a licenciatura: concepção e dinamização de acções de formação para professores e formadores e, mais tarde, orientação de estágios profissionais e curriculares.

O estágio da licenciatura na área de Educação Especial, permitiu-me sentir a importância e potencial das tecnologias de informação e comunicação em educação, nomeadamente para crianças com necessidades educativas especiais. Assim, foi com grande motivação que optei por fazer formação em informática para crianças e desenvolvimento de conteúdos educativos aplicados à informática para este público-alvo.

Depois de trabalhar alguns anos nessa área, surgiu a oportunidade para trabalhar num Centro de Recursos Educativos, na área da intervenção educativa e apoio pedagógico a crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem. Actualmente, as minhas principais funções são a organização, coordenação e acompanhamento dos processos de aprendizagem dos alunos. A nível da educação extra-escolar, participo na elaboração de projectos pedagógicos, programas de férias e ateliers temáticos em várias áreas de expressão. De momento, exerço ainda funções de gestão e coordenação pedagógica.

Acredito que a vida é curta para passarmos os nossos dias a trabalhar em algo de que não gostamos ou em que não acreditamos. Ingénua, sonhadora, corajosa ou simplesmente louca? Provavelmente, um pouco de cada… É preciso esclarecer que, desde os tempos de estudante universitária, trabalhei como bancária e, ao fim de quase dez anos, optei por trabalhar na área da licenciatura. Gostava do meu emprego, mas não era aquilo que queria fazer para o resto da vida… Desde os tempos de licenciatura, tive oportunidades para trabalhar em diversos contextos educativos, o que me permitiu perceber que esta área profissional ia de encontro aos meus interesses, motivação e expectativas para o futuro.

Para a minha prática profissional, a licenciatura continua a ser uma base importante, tanto pelos conteúdos estudados, como pelas competências desenvolvidas. Mas os desafios que vão surgindo no terreno, despertam necessidades de formação e tem sido útil complementar, diversificar e actualizar a formação de base.

Desde que trabalho como técnica pedagógica, os dias passam depressa, pois o trabalho é apelativo e absorve-me. Há muitos momentos divertidos e é frequente novas ideias surgirem durante o sono: uma estratégia para trabalhar com as crianças, um jogo para dinamizar um grupo, uma actividade para trabalhar um conteúdo…

O feedback do nosso trabalho vai-nos chegando de modos inesperados: primos e irmãos mais novos das crianças com quem trabalhamos vêm ter connosco porque têm boas referências ou são encaminhados pelos professores que não nos conhecem pessoalmente, mas conhecem o nosso trabalho através dos seus alunos. São boas oportunidades para recordar que somos responsáveis pela nossa imagem e desenvolvimento profissional e pessoal.

No quotidiano, várias vezes, volto a sentir o “bichinho” da investigação, reflexão e acção em educação. Integramos os estudos de caso no nosso quotidiano profissional e procuramos fazer uma intervenção pedagógica adequada à criança. Daqui ressalta a importância de trabalhar em equipa, não só no que respeita à avaliação psicológica da criança, mas também pela eventual necessidade de encaminhamento para outros profissionais qualificados.

Contudo, trabalhar em Educação no nosso país não é fácil, pois os recursos humanos em educação são (ainda) professores, educadores e pouco mais. Embora alguns bons exemplos sublinhem a importância de trabalhar em equipa multidisciplinar, ainda há muito caminho a  percorrer… Regozijo-me por ver, em anúncios de emprego, cada vez mais solicitações de “licenciados em Ciências da Educação”. Talvez por não estar acostumada a que isso aconteça, apetece-me dar um salto e gritar “sim, nós existimos e somos capazes!” Há que continuar a construir o caminho, trabalhando, inovando, divulgando e partilhando experiências.

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2 Comentários

  1. Olá colegas!
    Chamo-se Iria Santos, sou Licenciada em Ciências da Educação pela FPCE -UC. Sou cabo-verdeana e assim que terminei o curso, em 2004, voltei para o meu país. Nessa altura, em Cabo Verde o curso Ciências da Educação ainda era pouco conhecido. Também eu, ouvi muito a expressão que a Lígia Santos refere : “Ciências do quê?!” Mas actualmente já se houve falar mais, pois já temos o curso nas nossas universidades.
    Aqui em Cabo Verde também não é fácil trabalhar em Educação e ainda não reconheceram a nossa importância. Mas acho que isso vai acontecendo aos poucos…
    Cada vez mais tenho a certeza de que fiz a escolha, quando em 1999, depois de concluir o ensino secundário, assinalei no boletim de candidatura ao ensino superior, o Curso Ciências da Educação. É uma área com a qual eu me identifico completamente e que a cada dia me deixa mais apaixonada, apesar dos muitos constrangimentos. Neste momento estou a trabalhar numa Sala de Recursos que pertence à Delegação do Ministério da Educação da minha ilha (Ilha de São Vicente), no apoio a alunos com necessidades educativas especiais e, estou ADORANDO!!!. É uma partilha constante de experiências, emoções e de sonhos!

    A todos os colegas votos de que tenham muito sucesso.
    Aproveito para dar os parabéns pelo site, está muito interessante.

    Beijos daqui de Cabo Verde

  2. Ola Lígia. Obrigada por partilhar um percurso profissional tão rico e agradável de se ler. Concordo com praticamente tudo o que disse, desde a hesitação na designação da actividade profissional até aos sentimentos de ingenuidade, sonho, coragem ou simples loucura. Talvez seja esta mistura de sentimentos e vontades que nos defina, e que nos dá confiança apesar de pertencermos a um grupo ilustremente desconhecido.

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